Multiplicando Olhares Sobre o Corpo que Dança

O Coletivo Lugar Comum e a Cia. Etc. se encontraram no Instituto de Cegos Antônio Pessoa de Queiroz, na quarta-feira (25), para a concretização de mais uma etapa do projeto Multiplicando olhares sobre o corpo que dança. No evento, a Cia. Etc. apresentou a instalação sonora Audiodança – A Ventura do Corpo no Som que Dança, montada a partir de uma pesquisa de mesmo nome, mantida pelo Funcultura.

Multiplicando olhares sobre o corpo que dança

O encontro teve por objetivo discutir a ideia de acessibilidade nas artes

Os artistas-pesquisadores Caio Lima, Elis Costa, Filipe Marcena, José W Júnior, Marcelo Sena e Renata Vieira investigaram durante um ano as possibilidades de exploração estética entre a dança e o som, dando continuidade a um processo de pesquisa já existente na companhia como metodologia de suas criações. Na programação, houve também uma roda de conversa sobre a acessibilidade e o pensamento artístico: A sua arte é para todos? Quem são todos? O evento foi aberto a outros artistas interessados no tema.

Projeto Multiplicando olhares sobre o corpo que dança

O projeto Multiplicando olhares sobre o corpo que dança, das artistas Renata Muniz, Maria Agrelli e Silvia Góes, do pernambucano Coletivo Lugar Comum, foi criado para acordar sentidos, vastos, muitos, outros e também nossos, compartilhados. Incentivado pelo Funcultura, a ação principal é a realização de uma oficina de iniciação em dança. Ao todo, são quatro meses de aulas práticas, de agosto a dezembro, dedicadas ao desenvolvimento de um trabalho de conscientização pelo movimento em que a sensibilização aconteça também pela troca em sala de aula entre pessoas cegas e outras pessoas sem deficiência aparente interessadas na experiência de compartilhar descobertas corporais a partir deste encontro.

O projeto Multiplicando Olhares Sobre o Corpo que Dança engloba também a realização de eventos artísticos, com ensaios abertos de obras já apresentadas na cidade do Recife, com recursos de audiodescrição, instalações e debates e discussões focadas prioritariamente no público cego, cuja voz é o norte para novas propostas que possam transformar a relação de sua presença nos espetáculos de dança com acessibilidade oferecidos em Pernambuco.

Além de aproximar o público cego da vivência corporal em dança trazendo elementos de técnicas diversificadas, Multiplicando olhares sobre o corpo que dança, através das discussões presenciais e do blog multiplicandoolhares.wordpress.com, vai traçar um panorama sobre facilidades e dificuldades, acertos e erros na busca pela garantia da acessibilidade aos espetáculos como direito do público cego e prioridade de investimento dos grupos e artistas.

O Encontro

A proposta é que o encontro seja um espaço aberto para troca de saberes entre profissionais das artes cênicas que têm interesse em investir em acessibilidade, profissionais da área de acessibilidade propriamente dita e o público cego da cidade, criando um território onde dar e receber se misturem, proporcionando assim um melhor conhecimento das necessidades e desejos particulares e compartilhados no sentido de impulsionar a presença das pessoas cegas nos espetáculos e teatros locais.

Tudo isso poderá servir de instrumento para qualquer artista, produtor, grupo ou entidade pública ou privada que pretenda ampliar a presença do público cego às obras criadas e apresentadas no Estado, fazendo com que o desejo da troca se realize e os equipamentos de audiodescrição nos espetáculos sejam mais do que recursos silenciosos esperando ansiosamente por um público que não chegou ainda.

Coletivo Lugar Comum

O Coletivo Lugar Comum (Recife, Pernambuco, Brasil) atua desde agosto de 2007, reunindo artistas de diferentes linguagens (dança, teatro, música, artes visuais, literatura). É um espaço para troca de saberes diversos na busca de propostas que tenham a potência de transformar(nos), esteticamente, politicamente, culturalmente e artisticamente. Hoje agrega 14 artistas, que se revezam, dando aulas uns para os outros, colaborando nas criações, na produção de projetos, na discussão de textos e ideias, entre outras atividades artístico-culturais.

Lugar Comum, segundo o escritor Edouard Glissant, é quando um “pensamento do mundo” encontra outro “pensamento do mundo”, criando um espaço de reforço a uma compreensão que é assim ratificada. Para ele, é através da identificação dos novos “lugares comuns”, daqueles que emergem conectados a uma realidade multiétnica, plurivocal, não etnocêntrica, que é possível construir novos parâmetros para a arte e para a vida na contemporaneidade.

Fonte: Portal Cultura Pernambuco

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