RioFilme em Ação discute acessibilidade em audiovisuais

RioFilme em Ação é uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro que visa promover e instigar o debate sobre assuntos de interesse do setor audiovisual. Como proposta integrante da nova gestão da Secretaria Municipal de Cultura, a ação vai ao encontro do objetivo da RioFilme de exercitar o diálogo com a indústria audiovisual e a sociedade, a fim de desenvolver melhores práticas no campo das políticas públicas para a acessibilidade em audiovisuais.

Riofilme em Ação

Desde o ano passado, a RioFilme tem investido esforços na democratização do acesso da população com deficiência visual e auditiva à experiência audiovisual. As primeiras ações desse movimento contemplaram o subsídio para instalação de tecnologias de acessibilidade sensorial em cinco salas de exibição do Rio de Janeiro, por meio do Edital Cinema Acessível. Em seus últimos editais, lançados em junho e outubro deste ano, a empresa deu continuidade a essa diretriz com a elaboração de cláusulas que exigem aos proponentes a inclusão de recursos de legendagem descritiva, audiodescrição e LIBRAS nos projetos selecionados.

O tema da acessibilidade é abordado no RioFilme em Ação em diferentes produtos e formatos audiovisuais, com falas de especialistas na produção de recursos de legendagem descritiva, audiodescrição e LIBRAS, além de outros profissionais do mercado de cinema e TV.

O RioFilme em Ação: II Seminário sobre ações de acessibilidade voltadas para produtos audiovisuais tem a participação de representantes da ANCINE, das empresas Lavoro e CPL (atuantes no campo da produção de conteúdo acessível) e WhatsCine (dedicada às tecnologias de acessibilidade para cinema), de Moira Braga (deficiente visual e consultora em audiodescrição) e de Angela Reiniger (diretora do Programa Especial da TV Brasil).

Os convidados discutem aspectos técnicos do processo de criação e implementação de soluções em acessibilidade no setor audiovisual, buscando esclarecer as principais questões que envolvem essa crescente demanda do mercado e das políticas públicas para a área.

Aberto ao público em geral, com inscrições gratuitas, RioFilme em Ação se dirige especialmente aos profissionais do setor audiovisual – como produtores, diretores e roteiristas -, além do público com deficiência que já colabora com esse campo ou se interessa pelo tema. O Centro de Convenções da FIRJAN é acessível e os encontros contam com intérpretes de LIBRAS.

Riofilme em Ação: As Participações

Acessibilidade audiovisual e políticas públicas: panorama e implementação de políticas públicas para acessibilidade no setor audiovisual
• Akio Nakamura (ANCINE)

A acessibilidade está cada vez mais sendo abordada e implementada no mercado cinematográfico e, neste sentido, a Ancine possui medidas regulatórias para que produções estejam de acordo com as necessidades do público com deficiência. Para o coordenador de Análise Técnica de Regulação, Akio Nakamura, o marco inicial foi a publicação da Agenda Regulatória 2013/2014, onde foi incluído pela primeira vez o tema, com a matéria “Regulamentação de dispositivos que garantam o acesso a bens audiovisuais por pessoas com deficiência, observando a acessibilidade como tema transversal em todos os normativos aplicáveis da agência. "Dos 114 títulos nacionais lançados desde o ano passado, praticamente todos contavam com este recurso. Hoje, os recursos repassados para as empresas elaborarem curtas-metragens e obras para televisão vêm com cláusulas que se espelham na norma da acessibilidade para longas. “As ações da Ancine não se encerram por aqui, pois pensamos em acessibilidade como um princípio", informou Nakamura.

Produção de conteúdo acessível: as especificidades da audiodescrição, legenda descritiva e LIBRAS
• Lara Pozzobon (Lavoro Produções)

• Augusto Costa (representante do CPL)

O pioneirismo no Brasil em incluir pessoas com deficiência no cenário audiovisual foi citado pela produtora da Lavoro Produções, Lara Pozzobon, que contou que a produção de um curta em 1999 sobre deficientes – convidado a ser apresentado em um festival na Alemanha – a levou ao conceito de acessibilidade. "Não existia audiodescrição nem outras coisas. Como convidaríamos pessoas cegas para assistir um filme que falava justamente sobre eles?" indagou Lara. A partir daí a produtora se aprofundou no tema e, em 2003, passou a realizar o Festival Assim Vivemos, onde todos os filmes apresentam audiodescrição e legendas com indicação.

Já os recursos técnicos foram abordados pelo representante da CLP, Augusto Costa. Segundo ele, a parte técnica é um pouco mais complicada por não existir um padrão entre as tecnologias disponíveis para exibição de filmes em salas de cinema, por isso é importante estudar quais recursos serão utilizados e em que plataforma será exibido. "Para saber qual padrão utilizar, o ideal é conversar diretamente com o produtor", disse Costa, considerando fundamental escutar pessoas que usarão estes recursos diretamente. “Você pode achar que tem uma solução genial, mas uma pessoa deficiente, após testá-la, pode te mostrar que está errado”, alertou.

Consultoria em audiodescrição: a percepção do profissional cego e sua importância na criação e entrega do produto acessível
• Moira Braga (consultora em acessibilidade comunicacional e artística)

Passar esse feedback para as produtoras é a especialidade da consultora Moira Braga, que é bailarina, atriz e possui deficiência visual. "O trabalho do consultor é importante para mostrar se o que está sendo feito atenderá as necessidades", afirmou Moira.

Direção: a compreensão da acessibilidade na estética e linguagem da obra
• Ângela Reiniger (Programa Especial – TV Brasil)

O primeiro programa brasileiro totalmente dedicado a pessoas com deficiência foi tema da palestra da diretora da TV Brasil, Ângela Reiniger. O “Programa Especial” está no ar desde 2004 e seus episódios sempre contam com audiodescrição, legendas e Libras. "Na hora de uma gravação, devem ser considerados aspectos como, por exemplo, não colocar algo importante no lado que costuma ficar o intérprete de Libras", declarou Ângela, usando trechos do seu programa para ilustrar este tipo de produção.

Tecnologias de acessibilidade: os modelos existentes e o caminho do filme/conteúdo até as diferentes janelas de exibição
• Luis Mauch (WhatsCine).

As novas tecnologias para a acessibilidade foram apresentadas por Luis Mauch, um dos idealizadores da WhatsCine, empresa que transmite recursos inclusivos através de um aplicativo de celular. "A disponibilidade destes recursos faz com que um deficiente tenha igualdade de condições", disse. "Acredito em um futuro em que a acessibilidade no audiovisual será algo normal e comum, e não restrito a uma pequena quantidade de produções como nos dias de hoje", completou ele.

RioFilme em Ação: Seminário sobre ações de acessibilidade voltadas para produtos audiovisuais

Público-Alvo: Profissionais do setor audiovisual e portadores de necessidades especiais que se interessam no tema.
Promoção: RioFilme em Ação é fruto de parceria entre RIOFILME, FIRJAN, SICAV E ABPITV para debater a acessibilidade no setor audiovisual, com a participação de especialistas do mercado e do Poder Público.
Data: Sexta-feira, 13 de novembro de 2015.
Horário: das 10h as 13h.
Valor: gratuito.
Local: Sistema FIRJAN – Sede Centro – Av. Graça Aranha, 1 – Centro – Rio de Janeiro – RJ.

Fonte: Sistema FIRJAN

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