Alter: game faz você vivenciar as experiências de quem tem deficiência

Se um game nos faz vivenciar experiências de personagens, muitas vezes surreais, como seria sentir na pele o que pessoas com deficiência sentem? Essa é a proposta de "Alter", um game produzido por meio de uma parceria firmada entre a Racional Games, a Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência e o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência da cidade de Curitiba.

Telas do game

Propósito

À primeira vista, você acha que "Alter" é somente o título de um game de aventura, mas ele traz significados bem mais profundos. Ele é um "advergame", ou seja, um projeto que alia um jogo a uma campanha. Nessa campanha de conscientização, o game online propõe que você se coloque no lugar de uma pessoa com deficiência para assim entender certos mitos a respeito de limitações e potencialidades de quem tem algum tipo de deficiência. A conclusão de cada nível mostra ao jogador que é possível ultrapassar barreiras quando o ambiente se torna acessível — ou seja, que igualdade de oportunidades e direitos é algo necessário para se entender o conceito que as principais barreiras enfrentadas por uma pessoa com deficiência estão no meio em que ela vive, onde quase sempre faltam adaptações, não exatamente nas limitações inerentes a própria deficiência.

O jogo se passa em meio à uma floresta, e o seu único objetivo é percorrer o mapa até o final de cada nível. No entanto, não é tão fácil quanto parece: no caminho, há obstáculos dos mais diversos níveis de dificuldade. Isso porque, a cada fase, o personagem tem uma deficiência diferente: intelectual, física, auditiva, visual e o TEA (Transtorno do Espectro do Autismo). Em cada etapa do game, é proposta uma experiência sensorial diferente, colocada na prática por meio de sons, gráficos e jogabilidade. Por mais que o cenário se repita nas caminhadas, as situações mudam completamente, desde os comandos dos movimentos do personagem até as soluções para cada obstáculo.

Experiência sensorial

As características físicas e sensoriais de cada personagem influenciam na jogabilidade e na percepção do mundo do game. O personagem que utiliza cadeira de rodas, por exemplo, necessita de rampas para acessar determinados lugares. Já o que tem deficiência visual precisa se guiar fazendo reconhecimento tátil dos obstáculos, uma vez que o cenário desaparece completamente.

Daí o nome atribuído ao game: alter é a palavra em latim para outro. Sugerindo que o jogador incorpore as características do personagem, espera-se que o ganer entenda de que forma a remoção de algumas barreiras no ambiente podem fazer com que algumas "pretensas limitações" simplesmente desapareçam.

Consultoria para o desenvolvimento

O game contou com consultoria de pessoas com deficiência para a criação de mecânicas. "Isso foi importante para compreendermos esse universo que até então era desconhecido por nós e fez com que o projeto pudesse incorporar de maneira lúdica situações de fato vividas por essas pessoas", cita Olympio. Entre os principais desafios encontrados pela equipe de produção, estiveram a direção de arte, que utiliza pinturas manuais feitas a óleo, e a adaptação do game ao modo de acessibilidade.

Game tem acessibilidade garantida

Como não poderia deixar de ser, o game também conta com recursos de acessibilidade, para que pessoas com diferentes tipos de deficiência aproveitem igualmente a experiência, assim, é possível ativar opções de reconhecimento de fala, audiodescrição e alto contraste, entre outros. "Alter foi criado desde o início para ter recursos de inclusão e interação. A principal característica do desenvolvimento do game é que ele foi criado desde o início para ser acessível, ou seja, ser acessível e inclusivo desde sempre, não só a partir do meio do projeto&quot, diz o diretor técnico da Racional Games, Danilo Olympio.

Investimento

O investimento para o desenvolvimento do game foi de R$ 83 mil, proveniente de multas dadas por desrespeito ao uso de vagas de estacionamento destinadas a pessoas com deficiência. “Esses recursos são do Fundo de Apoio do Deficiente, que prevê que parte deles deve ser usada para campanhas educativas”, explica Natália Bonotto, Coordenadora de Projetos e Comunicação da Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Ao todo, foram necessários 90 dias para a conclusão do game, que também envolveu outras empresas, como Niobium Studios, Dope Audio Design e Cadamuro Produções.

O game está disponível para dispositivos Android. A versão para IOS está prometida para breve.

Interessado em viver essa aventura? Para jogar, basta acessar esse link.

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Fonte: Blog da Audiodescrição

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