Paradinha Cerebral terá audiodescrição no Circuito Cultural Olímpico

Paradinha Cerebral faz parte do Circuito Cultural Cidade Olímpica. A peça foi um dos projetos selecionados pela Secretaria Municipal de Cultura (RJ) para fomentar a cultura na cidade. A expectativa é que os turistas que estiverem no Rio aproveitem não somente os esportes, mas também a cultura carioca.

Paradinha Cerebral

Paradinha Cerebral aborda o fim do preconceito e a inclusão. A história se desenvolve a partir de uma entrevista ficcional com um ator paralisado cerebral. A dramaturgia original criada por Iuri Saraiva foi baseada nas experiências de Cassiano Fernandez, que possui paralisia, e Mirna Rubim, cantora lírica e atriz, que na vida real é sua professora de canto. A temporada acontecerá às quartas e quintas, às 21h30. A peça terá acessibilidade para pessoas com deficiência visual e auditiva (audiodescrição e interpretação em LIBRAS) nos dias 25 de agosto e 15 de setembro.

A Lavoro Produções, responsável pela produção de Paradinha Cerebral, também será responsável pela audiodescrição ( em inglês e português) da abertura (dia 5) e encerramento ( dia 21) das Olimpíadas e também nas Paraolimpíadas no dia 7 de setembro. A produtora é referência em acessibilidade, por ter introduzido a audiodescrição em eventos culturais no Brasil em 2003, no Festival Assim Vivemos.

Sobre Paradinha cerebral

Para interpretar a si mesmo no teatro, o jornalista e fã de novelas Cassiano Fernandez, o Cacá, aponta duas personagens que o inspiraram: Branca Letícia, uma vilã com falas ásperas e ao mesmo tempo engraçadas, interpretada por Susana Vieira em “Por amor”; e a também vilã Francesca Ferreto, a quem Tereza Rachel deu vida e fama em “A próxima vítima”. Quando as tramas estavam no ar, ele costumava imitar os gestos e bordões das duas. O que Cacá não previa é que hoje, aos 29 anos, ele estaria na pele de um personagem e contando a sua própria rotina em um espetáculo musical. O ator é o protagonista de Paradinha cerebral, peça que estreou no Teatro 2 do Fashion Mall.

" Eu acho que estou abrindo um precedente, pois estou indo ao público para interpretar a mim mesmo. Ainda assim, quem aparece no palco é um personagem. Faço um Cacá um pouco mais ácido, aproveitando esse jeito da Branca, o tom meio irônico e com um pouco de fantasia. É a primeira vez que atuo. Está sendo diferente e impagável", destaca.

Cassiano Fernandez em Paradinha Cerebral
Cassiano Fernandez

Sem grilo, Caca interpreta a si mesmo.

Em Paradinha cerebral, os produtores do talkshow "Show da madá" estão preocupados com a baixa audiência do programa e resolvem entrevistar o jornalista, que tem paralisia cerebral e é cadeirante. A apresentadora Maria Madalena, interpretada pela cantora lírica e preparadora vocal Mirna Rubim, é pega de surpresa por um convidado livre de neuroses e com um humor peculiar. Nesse encontro, a profissional terá que encarar seu sonho frustrado de ser cantora e Cacá lhe dará lições de vida ácidas e divertidas.

"Apesar da minha condição, eu sou descolado, falo quatro idiomas, faço aulas de canto. É quase impossível alguém me ofender com questões de deficiência. A ideia é alfinetar a Madá e acordar o público. Serão perguntas que tenham a ver com o universo da deficiência, e a Madá terá que se confrontar com a sua própria problemática ", adianta.

Durante a apresentação de Paradinha cerebral, os atores falam de maneira aberta sobre temas como preconceito, trabalho, sexo, inclusão e relacionamento. A construção das cenas se baseia em elementos do cotidiano, em experiências inusitadas e reflexões do jornalista. Além dos diálogos com Mirna Rubim, ele a acompanha no canto e piano em números musicais da peça. Na vida real, Mirna é professora de Cacá. A videografia do espetáculo será realizada por Daniel Gonçalves, jornalista e diretor de documentários e que também tem paralisia cerebral.

"A concepção de Paradinha cerebral surgiu quando o conheci. O Cacá lida muito bem com as barreiras cotidianas, contando suas aventuras com uma graça hilariante ", conta a produtora do espetáculo, Lara Pozzobon.

Para Cacá, trazer a deficiência para o universo cultural é uma forma de mudar a visão que existe na sociedade sobre o tema: "é até um pouco polêmico falar isso, mas eu sempre me irritei, de uma forma geral, com pessoas que tem deficiência, porque a maioria se vitimiza muito. Eles dizem coisas como “ah, eu não consigo namorar e ter um emprego porque eu sou deficiente”. Acho que essa peça pode ajudar a diminuir a vitimização ", aposta.

Cacá conta que a sua criação possibilitou que ele pensasse diferente: "quando eu nasci, em 1986, não era muito comum que os pais colocassem o filho deficiente na rua. Ele tinha que ficar no quarto, deitadinho. Mas os meus pais fizeram diferente. Sempre fui tratado por eles como qualquer criança. Eu ia ao clube, ao shopping, tinha festa de aniversário. Isso me possibilitou ter uma visão diferente da minha condição. Eu sou tão em paz comigo, que quando eu vejo pessoas que se lamentam por serem deficientes, fico um pouco chateado ", destaca Cacá, que trabalha na agência de publicidade NBS.

Paradinha cerebral está em cartaz às quartas e quintas, às 21h30m, até o dia 29 de setembro, no Teatro 2 do Fashion Mall (Estrada da Gávea 899, loja 213 , São Conrado). O espetáculo não é indicado para menores de 12 anos. Mais informações pelo telefone 2422-9800.

Fonte: Sopa Cultural

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