Carnavais acessíveis em Olinda e São Paulo

Carnavais acessíveis que foram destaque em 2017: para acolher pessoas com deficiência, a estratégia da Prefeitura de Olinda – como a do Recife – foi criar camarotes de acessibilidade, que funcionam com capacidade para receber 100 pessoas por dia. Localizado na Praça do Carmo, seu objetivo foi acolher tanto pessoas com deficiências físicas como mentais. A estrutura incluía audiodescrição, intérprete de libras e facilitadores de acessibilidade, como rampas de acesso e corrimões. Já em São Paulo, no desfile das escolas de samba no sambódromo do Anhembi, cegos e surdos puderam acompanhar melhor a festa. A Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência ofereceu os recursos da audiodescrição e Lingua Brasileira de Sinais para cegos e surdos que compareceram aos desfiles.

Carnavais acessíveis: Olinda

Carnavais acessíveis: Olinda

PraCegoVer: Os amigos Leonardo Ribeiro (esquerda) e Fernando Dias não enxergam, mas adoram carnaval e caíram na folia no carnaval de OlindaSumaia Coelho/Agência Brasil

Atravessar a multidão, enfrentar o empurra-empurra, subir e descer ladeiras de pedra, cruzar calçadas tomadas por ambulantes e ainda conseguir pular nos blocos do carnaval de Olinda não é uma tarefa fácil. Imagine então para pessoas com deficiência visual. Mas nada disso foi óbstáculo para os amigos Fernando Dias e Leonardo Ribeiro, que não enxergam, mas adoram carnaval e caíram na folia no carnaval de Olinda. Muito animados, eles acompanharam o Encontro dos Bonecos Gigantes na cidade histórica.

Leonardo, de 35 anos, servidor público e morador de São Lourenço da Mata, Pernambuco, viveu o seu primeiro carnaval. A família o acompanhava em Olinda. No sábado a dupla passou pelo que ele chamou de “aventura de carnaval”: se perderam do grupo e ficaram só os dois no meio da multidão. Mas, no final, deu tudo certo. "A dificuldade de locomoção existe, a gente tem que dar um jeito e anda muito. Tem que gostar muito do carnaval para conseguir chegar até Olinda para quem não enxerga", conta Fernando, auxiliar administrativo de 50 anos, morador do Recife. “Acessibilidade é sempre difícil pra gente. E também a questão da insegurança que estamos vivendo. Mas escutar esse batuque, a galera, é bem gostoso”, completa Leonardo. Fernando é o amigo que tem mais anos de carnaval. Desde 1983, quando descobriu o prazer pela festa, não perde uma. E essa paixão começou depois de perder a visão, aos 14 anos. "Eu não gostava de carnaval. Fui gostar depois que conheci o carnaval de Olinda. É uma das melhores festas que existem", diz.

O que os fazem ultrapassar as dificuldades é mesmo o gosto pela festa. No caso de Leonardo, o forte é a música. Já para Fernando o melhor mesmo é o contato físico com as pessoas, pois quem não enxerga tem a oportunidade de “ver” e sentir com o corpo todo. "A gente tem essa coisa de estar junto com o povo, sentir o movimento do povo. A cidade apertadinha e a gente sente a energia do povo com o movimento. Esse movimento mostra muito o que é dançar o frevo. O contato é tudo aqui nesse carnaval, é muito bom", afirma.

Carnavais acessíveis: São Paulo

Carnavais acessíveis: São Paulo

Com o objetivo de proporcionar acessibilidade para a maior festa cultural do Brasil, a Prefeitura de São Paulo promoveu o Carnavais Acessíveis, ação que levou audiodescrição e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para os desfiles das Escolas de Samba do grupo especial no Sambódromo do Anhembi, nos dias 24/02 e 25/02.

Organizado pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED) e com o apoio da São Paulo Turismo (SPTuris), o Carnavais Acessíveis reuniu um grupo de 50 pessoas – entre cegos, surdos, intérpretes de Libras e membros do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência para prestigiar o carnaval paulistano no Camarote da Cidade, que teve recursos de acessibilidade de audiodescrição. Além disso, aconteceu a segunda edição do projeto Samba com as Mãos, que disponibilizou vídeos com a tradução em Libras dos 14 sambas-enredos das agremiações que pertencem ao Grupo Especial de São Paulo.

Para o secretário municipal da Pessoa com Deficiência, Cid Torquato, a atividade inclusiva é um grande estímulo para a participação deste público nas ações da cidade: "Todas as pessoas com deficiência tem o direito de acessar e participar das festas de São Paulo, ainda mais no Carnaval, a maior festa brasileira! Pessoas com e sem deficiência devem comemorar esta data e tornar esta folia cada vez mais acessível!", explicou o secretário.

O analista de sistemas Laércio Santanna é cego e estava ansioso: " Nunca liguei muito para o carnaval por não acompanhar. agora eu passei a gostar mais", conta. Lara Gomes assistiu ao desfile. "Eu senti uma vibração muito forte. A gente tava num camarote perto do recuo da bateria, então deu pra sentir. Foi maravilhoso! Foi muito emocionante, não tem como explicar essa sensação", diz.

O projeto piloto Carnavais Acessíveis teve por objetivo orientar a melhor maneira para a introdução definitiva da Audiodescrição nos desfiles das Escolas de Samba a partir de 2018.



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