O dia que eu enxerguei com meus ouvidos

O dia que eu enxerguei com meus ouvidos, através dos olhos delas, o dia que imagens se tornaram palavras, e palavras me fizeram enxergar.

O dia que eu enxerguei com meus ouvidos

PraCegoVer: Carol Macalini em pé ao lado de uma árvore.

A dança, para a pessoa cega que nunca teve um contato muito próximo com ela pode ser algo irreal, sabemos que ela existe, sabemos que é uma arte, que é bonito, gracioso, mas não temos a verdadeira noção do quão belo e magnifico um espetáculo de dança pode ser.

No primeiro encontro de cultura acessível realizado em Santa Catarina pude pela primeira vez assistir um espetáculo de dança com audiodescrição, foi lindo, foi especial e foi marcante, levando-se em conta a audiodescrição maravilhosa feita pela Marcia Cáspary e sua equipe com o bonus de os bailarinos serem um cadeirante e sua professora andante, um misto de deficiências, que puderam se unir e se integrar, o cadeirante que dança, a cega que enxerga, a professora que conduz, as audiodescritoras que dão vida e fazem tudo fazer sentido com suas palavras.

Confesso que me emocionei muito, pela primeira vez estava enxergando, estava entendendo, estava vendo os bailarinos dançarem, através dos olhos delas, meus ouvidos se enchiam com as palavras, em quanto os meus próprios olhos derramavam algumas lágrimas.

Hoje a experiência se repetiu, novamente pude enxergar, dessa vez pelos olhos da Rosa Santos, dessa vez com os bailarinos sendo uma menina cadeirante e sua mãe, que juntas dançavam uma dança de roda, uma dança de cadeira de rodas, uma dança de integração, uma dança de amor.

Dessa vez na minha cidade, no teatro municipal da minha cidade, com bailarinos da minha cidade, com uma áudio descrição não formal, mas com uma pessoa disposta à fazer com que o nada seja muito, com que a falta de equipamento adequado, a falta de acessibilidade adequada não fosse empecilho para que eu não pudesse também enxergar o espetáculo de dança.

Espero que Cascavel não pare por aqui, que muitas mais experiências como essas me sejam proporcionadas e de forma adequada e total, sem precisar de improvisos.

à elas, Rosa e Marcia, toda a minha gratidão, Marcia por ensinar, contribuir, enriquecer, alimentar um sonho que esperemos se torne real, Rosa por ser ponte, por ser voz, por sonhar, por brigar mesmo que muitas vezes sozinha, desacreditada por muitos, inclusive por mim mesma, e por ser acessível, de tantas e tantas e tantas maneiras.

por Carol Macalini

Fonte: Time line do Facebook

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