Audiodescrição

Símbolo Internacional da Audiodescrição

PraCegoVer: o símbolo internacional da audiodescrição é composto pelas letras A e D, à direita da letra D três sinais de parênteses lembram ondas sonoras se propagando.

Definições e conceitos de audiodescrição

No campo das Letras: audiodescrição é uma modalidade de tradução semiótica que consiste em transformar o visual em verbal.

No campo da Comunicação: a audiodescrição tem a finalidade de transformar uma mensagem transmitida pelo emissor de forma visual, de modo que faça o mesmo sentido para o receptor que a recebe de forma audível.

Na Cultura: audiodescrição é a arte de descrever imagens por meio das palavras.

Para as Pessoas com Deficiência: audiodescrição é uma tecnologia assistiva, um recurso de acessibilidade que permite ouvir o que não pode ser visto, compreender o que não pode ser compreendido sem o uso da visão.

A Quem se destina a audiodescrição

Imprescindível para pessoas cegas ou com baixa visão. Alguns estudos indicam que a audiodescrição também favorece idosos, disléxicos e pessoas com deficiência intelectual.

Se ampliarmos ainda mais o conceito da audiodescrição, ela favorece a compreensão de informações imagéticas para todas as pessoas que, por algum motivo, estão impedidas de ver as imagens. Exemplo: programas de rádio.

Onde se aplica a audiodescrição

As primeiras iniciativas aconteceram em peças de teatro, logo em seguida o cinema, pouco mais tarde a televisão.

Quase diariamente profissionais da audiodescrição descobrem mais e mais situações em que o recurso pode, e deve, estar presente de modo a permitir a inclusão da pessoa com deficiência:

  • Artes Plásticas: museus, galerias de arte.
  • Educação: salas de aula, congressos, seminários, palestras.
  • Eventos Esportivos: em todas as modalidades esportivas, incluindo Olimpíadas, Paralimpíadas e Copas do Mundo de Futebol.
  • Eventos Religiosos: missas, casamentos.
  • Festas: carnaval, desfiles militares, festas de São João.
  • Filmes: em todos os tipos de filmes e documentários, de curta ou longa-metragem, em salas de cinema ou em casa.
  • Internet: fotos, gráficos, ilustrações, vídeos publicados em sites.
  • Publicações: livros, apostilas, folders.
  • Teatro: em todos os tipos de encenações realizadas ao vivo como peças, dança, musicais, circo.
  • televisão: em todos os tipos de programas e peças publicitárias, gravados ou ao vivo.

Quem faz audiodescrição

Desde 2013 a profissão de audiodescritor está registrada na CBO – Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho.

Um projeto de lei foi apresentado e está tramitando na Câmara dos Deputados para regulamentar o exercício da profissão. Este projeto de lei contempla a participação de pelo menos três perfís de especialistas na produção da audiodescrição: audiodescritor roteirista, audiodescritor narrador e audiodescritor consultor.

Já existem diversas empresas especializadas em audiodescrição em todas as regiões do país, mas a grande maioria dos profissionais ainda trabalham como autônomos.

Formação de audiodescritores

Ainda não existem cursos regulares de formação de audiodescritores no Brasil. A grande maioria dos cursos oferecidos são livres, com duração aproximada de 40 horas, geralmente ministrados por profissionais com maior experiência.

Em 2015 aconteceu a formatura da primeira turma de pós-graduados em audiodescrição, em curso semi-presencial ministrado pela UFJF – Universidade Federal de Juiz de Fora, com duração de 400 horas. Em 2016 a UECE – Universidade Estadual do Ceará ministra curso presencial em nível de especialização e a UNESP – Universidade Estadual Paulista ministra um curso a distância.

Tipos de audiodescrição

Gravada: aplica-se nos casos em que o produto audiovisual é pré-gravado, como no cinema e na TV. A narração é inserida entre os diálogos e mixada ao áudio original na fase de pós-produção.

Ao Vivo Roteirizada: é utilizada em eventos previamente ensaiados, como espetáculos de teatro, dança e circo. O roteiro é desenvolvido com antecedência e a narração é transmitida ao vivo por um audiodescritor narrador presente no local da apresentação. É recomendável que o audiodescritor narrador também tenha capacitação na elaboração de roteiros de audiodescrição para que possíveis situações de improviso sejam adequadamente descritas.

Ao Vivo Não Roteirizada: Nas situações em que não é possível a elaboração prévia de um roteiro. Nestes casos, a audiodescrição é realizada de improviso, à medida que o evento acontece. O audiodescritor narrador deve estar presente no local da apresentação, sendo indispensável que também tenha capacitação e experiência na produção de roteiros de audiodescrição.

Como se faz audiodescrição

Audiodescrição gravada:

  • A primeira parte do trabalho consiste em um audiodescritor roteirista assistir o produto audiovisual quantas vezes for necessário e elaborar o roteiro das narrações descritivas.
  • Em seguida, um audiodescritor consultor faz a revisão do roteiro elaborado para se certificar de que as descrições efetivamente esclarecem todas as situações necessárias.
  • Na terceira parte do trabalho, um audiodescritor narrador grava a locução das narrações descritivas em um estúdio.
  • Um técnico faz a mixagem da locução descritiva ao produto audiovisual, observando o time code de inserção das narrações descritivas e o equilíbrio entre o volume do áudio original e da locução das descrições.
  • O trabalho é concluído após a equipe de audiodescritores e técnico fazerem a revisão final do produto audiovisual (quality assurance).

Ao vivo roteirizada:

  • Os audiodescritores roteirista e consultor acompanham os ensaios do evento a ser descrito e juntos elaboram o roteiro das narrações descritivas.
  • O Roteiro das narrações descritivas deve estar pronto de modo que possa ser revisado durante os últimos ensaios antes da apresentação, e para que o audiodescritor narrador também possa ensaiar junto com os personagens do evento para a transmissão ao vivo.

Ao vivo não roteirizada:

  • O audiodescritor narrador, com capacitação e experiência na elaboração de roteiros de narrações descritivas, faz a transmissão ao vivo.

Boas práticas

  • É importante que a equipe de audiodescritores tenha conhecimento de todas as circunstâncias que envolvem o trabalho a ser realizado, gravado ou ao vivo. Para isso é indispensável a realização de estudo e pesquisa prévios sobre o assunto. Exemplos: em filmes de época, a equipe de audiodescritores deve ter conhecimentos específicos sobre a arquitetura, indumentária e costumes da época; em eventos esportivos a equipe de audiodescritores precisa conhecer as regras do jogo.
  • Em eventos ao vivo, a superposição de descrições descritivas sobre as falas do evento é inevitável.
  • A critério dos audiodescritores roteirista e consultor, a superposição das narrações descritivas sobre as falas, músicas e efeitos especiais originais do produto audiovisual gravado é recomendada sempre que a informação transmitida de forma visual for mais relevante para a compreensão do enredo que as informações sonoras.
  • A inflexão e velocidade das narrações descritivas são elementos importantes para que a audiodescrição acompanhe e transmita o clima das cenas. A narração deve ser neutra, sem monotonia, mas também não deve ser interpretada a ponto de que o narrador seja confundido com personagens da obra.

Leituras recomendadas

Apresentamos neste artigo algumas informações básicas sobre audiodescrição com o objetivo de traçar um panorama resumido sobre o tema. Para saber mais, utilize a barra de pesquisas na parte superior de todas as nossas páginas. Pesquise por palavras-chave, assuntos e data de publicação dos mais de 3 mil artigos publicados em nosso site.

Fonte: Blog da Audiodescrição







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