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Audiodescrição no programa Educar para Ser Grande

A audiodescrição está entre as melhores formas de inclusão da pessoa com deficiência visual. Além disso, oferece novo campo de trabalho para educadores, jornalistas e vários outros profissionais. Confira os detalhes sobre o tema com as audiodescritoras Marisa Pretti (atriz e jornalista) e Márcia Oshiro, sócias da empresa As Meninas dos Olhos . Reportagem do programa Educar Para Ser Grande, gravado na Biblioteca Braille do Centro Cultural São Paulo. Mais detalhes? Email para: educarparasergrande@gmail.com.

Cultura limitada: arte ajuda na inclusão de público marginalizado pela diferença física

Quando receberam o convite do festival Palco Giratório, do Sesc, e da audiodescritora Andreza Nóbrega para inserir audiodescrição, as bailarinas Maria Agrelli e Renata Muniz, do espetáculo Leve, nunca tinham participado de uma produção com recursos de acessibilidade. "Foi muito potente para mim enquanto artista, mas a experiência me ampliou enquanto pessoa. Não tem nem palavras, dá um rebuliço mesmo", tenta definir Maria. A partir de então, todos os solos do grupo contam com o recurso.

Acessibilidade e inclusão por meio da arte

A falta de inclusão social afeta milhares de deficientes na capital federal. Seja pelo preconceito, ou pela falta de estruturas que possibilitam a convivência e as experiências do cotidiano urbano. "As deficiências são criadas pelas estruturas, não pela lesão". A frase da educadora Camila Alves revela que muitos dos entraves vividos por cegos, surdos ou quaisquer outras pessoas que possuem limitações físicas ou sensoriais partem de mazelas das cidades. Por exemplo, as calçadas de Brasília, que desafiam até mesmo pessoas sem dificuldades de locomoção.

Audiodescrição faz imagens aparecerem em sua mente

É tão bom quando chegamos em casa e ‘viajamos’ assistindo um programa de TV sobre turismo. Cheio de lugares e cenários diferentes, alguns até conseguem nos levar a outro país. Graças à tecnologia assistiva hoje em dia é bem possível também para pessoas com deficiência visual. Essa inclusão junto ao público de produtos audiovisuais, não requer muito investimento e já beneficia mais de 16 milhões de pessoas.

Mercado cultural acessível está em franca expansão

Aos poucos, a audiodescrição começa a ganhar espaço. Apesar de um número ainda baixo de produtos com o recurso, Porto Alegre é um dos polos nacionais que mais aposta na área, junto com São Paulo e Recife. O cinema tornou-se a área que mais investe no recurso. No ano passado, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) determinou que todos os filmes e demais produções audiovisuais aprovadas desde 18 de dezembro de 2014 e financiados com recursos públicos incluam legenda descritiva, audiodescrição e Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Inclusão esbarra nos interesses econômicos

O processo de inclusão das pessoas com deficiência tem chegado também devagar à produção audiovisual e um dos principais motivos certamente está nos interesses econômicos dos responsáveis pela produção cultural. O governo, por sua vez, tenta resolver a questão: a Instrução Normativa nº 116 da Ancine (Agência Nacional do Cinema), assinada em 18 de dezembro de 2014, define que todos os projetos financiados com recursos da agência têm que contemplar legendagem descritiva, audiodescrição e Libras.

Falta de interesse dos produtores culturais em levar a acessibilidade à cultura

Há cerca de 15 anos a acessibilidade para surdos e cegos nos meios audiovisuais tem sido a causa pela qual luta a professora Vera Lúcia Santiago Araújo. É meta da pesquisadora permitir que os meios se adaptem à surdez e à cegueira incluindo as pessoas que passaram anos à margem dos eventos culturais. É trabalho (e desejo) dela fazer com que o surdo e o cego participem, por exemplo, de uma exposição de arte, de uma visita ao museu, de uma sessão de cinema, de um jogo de futebol. Por isso, a professora Vera investe nos trabalhos com audiodescrição, para cegos, e com legendagem e janela de Libras (a Língua Brasileira de Sinais), para surdos, além de expor a falta de interesse dos produtores culturais em levar a acessibilidade à cultura.

Tributo a Michael Jackson: espetáculo com acessibilidade para surdos e cegos

Em um cantinho ao lado do palco, Rafaella Sessenta, 32, alonga braços e pernas. Posiciona-se frente a uma câmera e aguarda a largada: o início de um show em tributo a Michael Jackson, realizado no domingo (31/5) em São Paulo. Rafaella é tradutora de libras (Língua Brasileira de Sinais) e trabalha em eventos culturais há oito anos. Ela diz que é preciso traduzir ao público surdo as letras e também o ritmo das músicas. Para entrar na cadência do astro do pop, dança junto (até mimetiza as mãos arqueadas de "Thriller") e imita o tocar de instrumentos que se sobressaem: faz gestos de um bateristas, dedilha uma guitarra. Enquanto isso, a audiodescritora Livia Motta, 62, fica em uma cabine, ao fundo da plateia. Sua função é narrar aos espectadores cegos, munidos de fones de ouvido, o que acontece sobre o palco. No roteiro, conta ela, também faz um histórico sobre as músicas, o artista e a coreografia do espetáculo.

Novas e antigas profissões

Com o avanço tecnológico e a mudança de hábitos, atividades tradicionais desaparecem e cedem lugar a novas formas de trabalho, muitas delas inimagináveis há poucos anos. O sapateiro, o alfaiate e o ascensorista são profissionais cada vez mais escassos. Enquanto isso, novos campos de atuação ganham espaço no mercado como o audiodescritor, por exemplo.