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Cinema com audiodescrição na escola Cruzeiro do Sul

Na tarde de quinta-feira (14), a Escola Estadual Cruzeiro do Sul ofereceu uma sessão de cinema com audiodescrição. A iniciativa partiu da professora Carla Maria Rotirolla, que há 12 anos trabalha com 17 deficientes visuais no colégio. "Cada nova tecnologia que temos acesso mostramos aos nossos alunos e também para os usuários da Associação Carazinhense dos Deficientes Visuais", comenta.

Dicas de Fabrícia Omena para tornar sua palestra acessível

Os leitores cegos ou com baixa-visão aqui do blog, certamente se identificarão com alguma das situações abaixo. Você que enxerga, imagine que tem deficiência visual e que está em um grande evento, de ouvidos atentos nas palestras. A que você está assistindo agora é sobre um tema bem interessante e foi aguardada com expectativa.

Faculdade Victor Hugo realizou a primeira sessão de cinema para deficientes visuais

O último dia 16 foi uma data marcante para os 35 deficientes visuais que compareceram na Faculdade Victor Hugo para assistir pela primeira vez a uma sessão de cinema nacional, totalmente audiodescritiva. Deficientes visuais e auditivos das cidades de Poços de Caldas, Três Corações, Itajubá, Conceição do Rio Verde, Caxambu, São Lourenço e Baependi, foram recepcionados pelos diretores da Faculdade, Adolfo e Leila R. Direzenchi, pela Prof.ª Sonia Costa e alguns de seus acompanhantes, para assistir ao filme Tropa de Elite.

Audiodescrição foi destaque na tarde desta quinta-feira, 17

“Muito interessante. É impressionante como a gente que enxerga consegue absorver ainda mais a mensagem do filme e os detalhes”. Essas foram as palavras do professor Rômulo Lima Meira, encantado com o recurso da audiodescrição, após participar de mais uma sessão de cinema do projeto Leitura de Olhos Fechados, na tarde dessa quinta-feira, 17, na Associação Conquistense de Integração do Deficiente (ACIDE), em Vitória da conquista.

Plano de aula: Vamos ao Teatro

Vamos ao teatro – Plano de aula – Artes

Objetivos

Este plano de aula tem por objetivo fazer que os alunos:
– Aprendam a se comportar como um espectador de teatro.
– Reconheçam a interpretação dos atores, a dramaturgia, os cenários, a iluminação, o uso da música, o uso de elementos de animação etc.
– Observem o que tem relação com a atuação dos atores, como a interpretação e a gestualidade.
– Reconheçam e apreciar recursos de iluminação, cenário e figurinos.

Conteúdo

– Apreciação.

Anos: 1º ao 5º.

Tempo estimado: Cinco aulas.

Material necessário: Cartolina e canetas coloridas.

Flexibilização:
Na hora de selecionar o espetáculo, investigue se ele oferece recursos que estimulem os demais sentidos além da visão – como texturas nos figurinos e no cenário, uso de instrumentos musicais, riqueza na trilha sonora ou diferentes cheiros de objetos explorados em cena. Esses recursos ajudam a incluir o aluno com deficiência visual na apreciação da trama. Também é possível apostar no recurso da audiodescrição. Trata-se de fazer a descrição oral do que acontece em cena no intervalo das falas dos atores, com o cuidado de deixar brechas para que o aluno cego possa fazer suas próprias interpretações da peça. Registre todas as etapas da discussão e estimule o seu aluno a fazer o mesmo em braile.

Desenvolvimento

1ª etapa

Selecione uma peça de teatro adequada à faixa etária da turma. Alguns dos parâmetros podem ser a própria obra e o histórico dos artistas. Busque material informativo sobre o espetáculo, como o cartaz de divulgação, e o que já foi publicado sobre ele em veículos especializados de imprensa, como críticas e reportagens.

2ª etapa

Decidido o espetáculo e agendada a data para vê-lo, é hora de conversar com as crianças e analisar com elas o material reunido na etapa anterior. Se a peça tiver como tema alguma história que o grupo já conhece, organize uma roda de conversa para retomar o que os alunos sabem. Caso se trate de uma história inédita, incentive comentários a respeito do material lido.

3ª etapa

Pergunte aos alunos como acham que a história vai ser apresentada no teatro. Estimule a discussão sobre como serão representados os lugares. Levante com a garotada o que precisa haver num teatro para que a gente saiba o que é cada lugar. E quanto aos personagens? Quantos atores serão necessários para encenar a peça? Se o número de personagens for maior que o de integrantes do grupo teatral, provoque as crianças perguntando o que será feito para resolver um desafio como esse. Será que personagens infantis serão feitos por crianças? Qual será o figurino? Como é possível saber na hora da apresentação quem é quem? O objetivo dessa conversa é fazer um aquecimento com as crianças para a apreciação. Registre essas hipóteses em um cartaz para retomá-las depois do espetáculo.

4ª etapa

Apresente e discuta com as crianças termos, funções e contextos específicos do teatro. Por exemplo, leia com elas a ficha técnica do espetáculo. Pergunte que funções aparecem nela. Questione a função do elenco, do dramaturgo, do diretor, do designer de luz etc.

5ª etapa

É chegada a hora de assistir ao espetáculo. É importante falar com os alunos sobre como se comportar em uma sala. Ir ao banheiro antes evita o entra e sai. A peça de teatro é uma arte realizada ao vivo e conversar em voz alta durante a encenação desconcentra o elenco e também é falta de educação. Apesar disso, o teatro é sempre um encontro imprevisível entre os atores e o público e algumas montagens podem ser mais interativas, pedindo uma participação ativa do público. Converse com as criancas a respeito para que aprendam a notar essas características, respeitá-las e desenvolver a sensibilidade para interagir na intensidade adequada. Somente a experiência de ir ao teatro confere aos estudantes a possibilidade de compreendê-lo cada vez mais e elaborar o comportamento espectador.

6ª etapa

De volta à escola, retome o cartaz e estimule a turma a compará-lo com o que foi visto no palco.

Avaliação

Observe se os alunos são capazes de reconhecer e comentar as características específicas da arte teatral, como a interpretação dos atores e os elementos cênicos. É possível também avaliar com base na leitura de críticas teatrais e convidá-los a refletir: todos concordam com elas?

Consultoria: Paula Zurawski
Consultora das temporadas infantis do Teatro Alfa, na capital paulista.

Fonte: Revista Nova Escola

O Que É Audiodescrição para Luciane Maria Molina Barbosa

Imagens que Falam: A Audiodescrição para os Deficientes Visuais

O QUE É?

É um recurso de acessibilidade que consiste na descrição clara e objetiva de todas as informações que compreendemos visualmente e que não estão contidas nos diálogos, como, por exemplo, expressões faciais e corporais que comuniquem algo, informações sobre o ambiente, figurinos, efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço, além da leitura de créditos, títulos e qualquer informação escrita na tela.

É a arte de transformar aquilo que é visto no que pode ser ouvido, permitindo que as pessoas com deficiência visual possam assistir e entender melhor filmes, peças de teatro, musicais, apresentações, aulas, palestras, entre outros. A audiodescrição implica em oferecer aos usuários desse serviço as condições de igualdade e oportunidade de acesso ao mundo das imagens, garantindo-lhes o direito de concluírem por si mesmos o que tais imagens significam, a partir de suas experiências, de seu conhecimento de mundo e de sua cognição.

O QUE ELA PERMITE?

Permite que o usuário receba a informação contida na imagem ao mesmo tempo em que ela aparece, possibilitando que a pessoa desfrute integralmente da obra, seguindo a trama e captando a subjetividade da narrativa, da mesma forma que alguém que enxerga.

COMO ACONTECE?

As descrições acontecem no espaço entre os diálogos e nas pausas entre as informações sonoras do filme ou espetáculo, nunca se sobrepondo ao conteúdo sonoro relevante.

A informação audiodescrita se harmoniza com os sons do filme ou espetáculo.

TIPOS MAIS COMUNS

  • Audiodescrição gravada
  • Audiodescrição ao vivo ensaiada
  • Audiodescrição simultânea

AUDIODESCRIÇÃO INFORMAL

Audiodescrição traz a formalidade para algo que era, anteriormente, feito informalmente e acontecia quando as pessoas com deficiência visual, mais curiosas, começavam a fazer perguntas, tirar dúvidas sobre os acontecimentos "sem áudio" suficiente para o pleno entendimento.

Não é desconhecido, por exemplo, a linda, poética e significativa audiodescrição feita pelo cosmonauta Iuri Gagarin, em que, ao ver a terra de onde ninguém jamais vira antes, descreveu nosso planeta como: "A Terra é azul!", trazendo aos que a terra não podiam ver a informação de que cor ela era. E quantos mundos azuis deixam de ser acessíveis às pessoas com deficiência visual pela ausência da audiodescrição, em particular, e pelas demais barreiras comunicacionais em geral?

Durante os cursos que ministro para capacitar professores em Grafia Braille e Dosvox e, até mesmo em palestras que realizo, dedico um momento especial para divulgar o recurso da audiodescrição. Nesses encontros, é visível o desconhecimento desta técnica pelos profissionais da educação e pelo público, em geral que, a partir do momento em que começam conhecer a AD e todas as possibilidades ficam encantados e atentos para o quanto poderão contribuir, daqui pra frente, para que uma imagem se torne acessível a um deficiente visual. É por meio de filmes, comerciais com e sem audiodescrição e roteiros escritos que passamos a divulgar os "sons" das imagens.

Compartilho com vocês, leitores deste blog, alguns roteiros escritos de audiodescrição de comerciais feitos por alunas do curso "Grafia Braille – Semeando Leitores e Escritores Competentes".

Fonte: Espaço Braille