Abertura Paralela 2010 – A Contemplação do Mundo

Ontem, dia 22, quarta-feira, aconteceu a abertura da Paralela 2010//A Contemplação do Mundo. O vernissage contou com a presença desde ícones populares a importantes donos de galerias de diversas partes do mundo.

Arnaldo Antunes

Piano

Obras como o piano que chora (“Estudo nº1″, Laura Vinci, 2010) e o manifesto à liberdade (“Atrás da liberdade”, Rosana Ricalde, 2010) captaram o olhar dos convidados, mas o grande destaque da noite ficou para duas obras que tentam se aproximar da realidade das ruas: o “barraco” (“Puxadinho”, Lucas Bambozzi, 2010), cujas portas e janelas tentam ser abertas freneticamente, causando uma sensação desesperadora; e a performance de dois artistas interpretando moradores de rua que interagiram com o espaço e o público.

Liberdade

O ápice desta “vanguarda” ocorreu quando uma criança começou a brincar com carvão e desenhar no chão. A união por meio dos personagens dos artistas e a menina firmou um pouco mais a realidade contrastante entre o que estava ocorrendo ali no galpão do Liceu de Artes e Ofícios e as ruas. Foi realmente impressionante a ruptura da exposição.

Puxadinho

Performance

Menina

Quanto às críticas, os convidados parabenizaram a arquitetura do local por ser espaçoso, com obras bastante expressivas muito bem distribuídas e organizadas entre as diversas alas, embora para alguns houvesse uma quebra na expectativa de encontrar algo mais comprometido com a loucura, com o surreal. Um dos grandes diferenciais do evento, foi a acessibilidade a todos os tipos de público. Pessoas com deficiências, em especial cegos e cadeirantes foram alguns dos convidados que prestigiaram a abertura e puderam contemplar a as obras atráves do tato e da audiodescrição de monitores especialmente preparados. Para alguns desses visitantes, a falta de um piso podo-tátil diminuiu a autonomia de pessoas com deficiencia visual pelo espaço e a ausência de descrições em braile. Sobretudo,  a equipe de produção e a monitoria foram bastante elogiadas pelo trabalho ousado e, sendo comparada a última Paralela realizada em 2008, houve mais inovações, organização tanto estética quanto espacial e conforto.

Deficientes

O sucesso da exposição ontem e a interatividade “público X obra” mostra que a arte está cada vez mais acessível, e este quadro favorável à cultura poderia ser aproveitado e complementado por órgãos públicos responsáveis, que trouxessem mais incentivos do Estado.

Por Natália Garcêz e Rubens Takamine (alunos do Liceu de Artes e Ofícios)

Fonte: Paralelas 2010 – A Contemplação do Mundo



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